This is Supimpa!
Criatividade e Inspiração
Criatividade é a arte de combinar coisas de uma forma original, que surpreenda, e que faça sentido (Scott Barry Kaufman).
A parte inicial da frase (combinar coisas de uma forma original, que surpreenda) até que é uma tarefa simples, mas a parte final (e que faça sentido) é onde as coisas se complicam. Veja você, é isso que faz toda a diferença entre ser considerado um gênio (p.ex., o cara que inventou a pizza doce de banana com canela) ou um maluco (pizza de sushi, sim isso existe); é a diferença entre as pessoas rirem com você ou rirem de você (cringe). Convenhamos, é uma linha tênue.
Plenamente ciente dos riscos portanto, inicio aqui esta newsletter para falar sobre Criatividade. A começar pelo título, misturando palavras em inglês e português. Talvez seja uma afetação do anglicismo que permeia nosso meio, ou talvez seja como funciona minha cabeça, ou talvez ainda, para antecipar um pouco o conteúdo que cobrirei aqui, invariavelmente uma mistura dos dois idiomas.
Para iniciar com um bom karma, veja abaixo uma entrevista do David Bowie para a rede BBC, de 1975, falando de seu processo criativo. Visionário (antevendo machine learning e IA?), ele conta como costumava recortar palavras escritas num papel e combiná-las de forma aleatória para gerar ideias, e de como depois ele começou a usar um programa para agilizar o processo, alimentando-o com artigos de jornais, textos de livros, poemas, coisas que ele mesmo escreveu. Genial, ou melhor, this is Supimpa!
Coisas que estou lendo
O The Guardian traz um artigo da psicoterapeuta Moya Sarner esta semana falando sobre “Sisu, o conceito finlandês de ação e criatividade em tempos difíceis, algo mais profundo do que resiliência, aquele pedaço de nós que vem a tona quando sentimos que não temos mais nada a perder”. Uma palavra intraduzível segundo os finlandeses.
Coisas que me inspiram
As coisas que o José Eduardo Agualusa escreve. Olha este trecho: “Naquela época, nos anos 1930, tudo que não era credível podia ocorrer no Dondo. Quase sempre, ocorria. A realidade nunca deu muito certo por ali”.
O poema “Eu Sei, Mas Não Devia” da Marina Colasanti, que termina assim:
“. . . A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza para preservar a pele.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde por si mesma.
A gente se acostuma, eu sei, mas não devia.”


